Dicas de abordagem
• Em entrevistas ou matérias sobre crianças, devem ser levados em consideração seu direito à privacidade, ao sigilo, à participação em decisões que a afetam e à proteção de situações de injúria (ofensa) e represália;
• Não devem ser publicadas imagens ou relatos que possam colocar a criança, irmãos ou pessoas próximas em situação de risco (mesmo quando as identidades são trocadas ou omitidas). Assegure-se de que a criança não será colocada em risco ou será afetada prejudicialmente pela exposição de sua casa, comunidade ou localização;
• Não ofenda a criança: evite atitudes, questões ou comentários críticos ou insensíveis aos valores culturais da criança, que a coloquem em perigo, exponham-na à humilhação ou reavivam a dor ou tristeza de algum evento traumático;
• Ao escolher crianças para uma entrevista, não as descrimine por critérios de sexo, raça, idade, religião, classe social, nível educacional ou capacidades físicas;
• Não dramatize: não peça à criança que encene ou fale sobre coisas que não aconteceram. Estereótipos e apresentações sensacionalistas para a promoção de material jornalístico devem ser evitados;
• Certifique-se de que os responsáveis pela criança sabem que ela está falando com um jornalista. Explique-lhes a proposta da entrevista e suas intenções de uso do material;
• Obtenha a permissão da criança e de seu responsável para todas as entrevistas, gravações e para documentações fotográficas. Quando possível e apropriado, a permissão deve ser por escrito. Ela deve ser obtida em circunstâncias que garantam que as crianças e seus responsáveis não foram coagidos e que entenderam que o material colhido faz parte de uma matéria que pode ser veiculada local ou globalmente;
• Preste atenção em como e onde a criança é entrevistada. Limite o número de entrevistadores e fotógrafos. Assegure-se de que a criança está confortável e pronta para falar sua história sem qualquer forma de pressão - inclusive por parte do entrevistador. Em gravações em vídeo ou para rádio, lembre que a escolha do cenário ou do acompanhamento musical podem inferir sobre a criança e sua história;
• Não estigmatize a criança. Evite categorizações ou descrições que a exponham a futuras represálias - como danos físicos ou psicológicos, ofensas e descriminação ou rejeição por parte de sua comunidade;
• Sempre construa na matéria ou reportagem um contexto adequado para a publicação da história ou imagem da criança, não se restringindo à mera dramatização do caso particular de uma criança ou adolescente;
• Sempre mude o nome e omita a identificação visual de crianças e adolescentes identificadas como vítimas ou autores de abuso e exploração sexual, HIV positivo ou que vivam com AIDS (exceto se houver autorização de seu responsável) e suspeitos ou culpados de crimes;
• Em alguns casos, a identificação da criança é de seu interesse, como: quando ela entra em contato com o repórter para exercer sua liberdade de expressão e seu direito de ter sua opinião ouvida; quando a criança é protagonista de programas de ativismo ou de mobilização social (e deseja identificar-se) ou quando participa de programas psicossociais e a menção de seu nome é parte de seu desenvolvimento saudável;
• Dar às crianças, sempre que possível, o direito de acesso à mídia para expressar suas próprias opiniões sem indução de qualquer tipo;
• Evitar o uso de imagens erotizadas de crianças;
• Verificar as credenciais de qualquer organização que se proponha a representar ou falar em nome dos interesses das crianças;
• Assegurar a verificação independente de informações fornecidas por crianças, tendo atenção especial para garantir que essa confirmação ocorra sem colocar a criança em risco.
* Recomendações adaptadas de orientações do Unicef e da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ)