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Rede Nacional Primeira Infância divulga resultados de pesquisa com crianças nesta sexta-feira

94 crianças, de todas as classes sociais e regiões do Brasil, foram ouvidas. Meninos e meninas com idades de 5 e 6 anos já expressam suas opiniões com clareza

05/03/2009 • Pauta • ANDI (DF)

Quais são as prioridades para as crianças de cinco e seis anos no Brasil? Nesta sexta-feira, 6, a Rede Nacional Primeira Infância apresenta a resposta a essa pergunta sob um ponto de vista bem interessante: o das próprias crianças. A partir das 10h, em São Paulo, a associação Ato Cidadão revela os resultados de uma pesquisa que realizou com 94 crianças nas cinco regiões do Brasil.
O projeto faz parte da consulta pública sobre o Plano Nacional pela Primeira Infância, que está aberta até o dia 15 de março. Para contemplar a opinião de meninos e meninas sobre o assunto, a Associação Ato Cidadão, em parceria com o Instituto C&A, realizou 16 grupos de escuta em nove capitais brasileiras (ver Box). Nos grupos, as crianças eram estimuladas a falar sobre suas prioridades e a estabelecer uma hierarquia entre elas. De acordo com a coordenadora do projeto e presidente da Ato Cidadão, Paula Tubelis, a surpresa não está nos resultados do estudo, mas na clareza que as crianças, mesmo sendo tão pequenas, tiveram ao expor suas opiniões.
"Entre coisas de importância vital elas não fazem escolhas 'isso é mais importante que aquilo', mostram que as coisas se relacionam, que são igualmente importantes. Elas apontam um conjunto muito nítido de necessidades, uma 'cesta básica' que tem prioridades na linha do tempo: coisas que vêem antes de outras, mas não em detrimento umas das outras", antecipa a pesquisadora, Fátima Belo. Entre os temas mais abordados pelas crianças aparecem alimentação, moradia e família: um primeiro tripé, básico, anterior à saída para o mundo, a escola.

Metodologia - A primeira vista, a proposta da pesquisa parece ousada. Como ouvir meninos e meninas com idades de 5 e 6 anos sobre questões tão sérias? A coordenadora do projeto explica que além da conversa foram utilizados métodos como desenhos, brincadeiras, teatro, jogos e atividades com sucata para contribuir com a expressão dos pequenos.
Dos 16 grupos, seis foram compostos por crianças usuárias dos serviços privados - como hospitais, escolas e creches particulares - e que moram em localidades de fácil acesso a serviços de qualidade nas áreas de saúde, educação, espaços de lazer e cultura. Outros seis grupos foram constituídos por crianças que utilizam os serviços públicos e vivem em locais periféricos. Os quatro grupos restantes contaram com uma formação mista.
De acordo com a pesquisadora Fátima Belo, não há muitas diferenças entre as demandas apresentadas por crianças de classes sociais distintas. "As diferenças surgem quanto à qualidade do que está disponível na vida de ambas: há gradientes diferentes quando se com para os resultados trazidos por ambas as camadas sociais. No entanto, elas não entendem diferentemente as necessidades, ao contrário é muito nítido que crianças têm e percebem necessidades muito semelhantes, ainda que o repertório das crianças de classe A/B seja, naturalmente, mais complexo".

Apresentação - Nesta sexta, os resultados detalhados do estudo serão apresentados a um Grupo de Trabalho (GT) formado por organizações que fazem parte da Rede Nacional Primeira Infância. Além da Ato Cidadão, estarão presentes na reunião: Fundação Xuxa Meneghel, Instituto Zero a Seis, Ipa Brasil, Cecip, Fundação Abrinq e Instituto C&A.
Caberá a este grupo definir quais são os pontos mais valorizados pelas crianças e como eles serão agregados ao Plano Nacional. O coletivo também irá discutir a possibilidade de produzir um material exclusivo, voltado para a divulgação do estudo. "Acreditamos que um dos pontos centrais é demonstrar a real possibilidade da participação infantil, tratando a criança como sujeito de direitos não só utopicamente e sim realizando ações que as incluam também como sujeito ativo na sociedade", defende Paula.

Contribuições - O Plano Nacional pela Primeira Infância está aberto à consulta pública até o dia 15 de março. O documento foi elaborado pela Rede Nacional Primeira Infância e traça diretrizes para as políticas públicas voltadas a crianças de até seis anos. O Plano prevê ações que devem ser implementadas nos próximos 14 anos e aborda áreas como saúde, educação, abrigamento, direito de brincar e exposição às mídias. A íntegra do documento pode ser acessada em www.primeirainfancia.org.br, e as sugestões de indivíduos ou organizações devem ser enviadas para o e-mail contato@primeirainfancia.org.br.
Pensar em ações específicas para essa faixa etária é importante porque é na primeira infância que o indivíduo passa por etapas cruciais de socialização e desenvolvimento mental e emocional. De maneira geral, mais da metade do potencial intelectual infantil já está estabelecido aos 4 anos de idade.

Capitais que participaram da pesquisa
Brasília
Florianópolis
João Pessoa
Manaus
Porto Alegre,
Recife,
Rio de Janeiro,
Salvador
São Paulo

SERVIÇO
O quê: apresentação dos resultados da consulta realizada com crianças para o Plano Nacional Primeira Infância
Quando: sexta-feira, 6 de março de 2009.
Onde: sede da Ato Cidadão. End.: Rua Barra Funda, 491, Santa Cecília, São Paulo/SP.

SUGESTÕES DE FONTES
Paula Tubelis
Coordenadora do projeto e presidente da Ato Cidadão
(11) 3872-3871 / 9686-9336
paula@atocidadao.org.br

Fátima Belo
Pesquisadora responsável pela pesquisa e análise dos dados
(11) 3062-6828
fbeloc@terra.com.br

Rede Nacional Primeira Infância
Gustavo Amora - Secretário executivo
(61) 9967-4177 / 3877-4177
gustavo_amora@yahoo.com.br